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NTU propõe o Programa Transporte para Todos para melhorar a qualidade do ônibus urbanoProposta apresentada busca modernizar o setor, reduzir tarifas e garantir acesso amplo à população

O transporte coletivo brasileiro entrou em uma nova fase de sua crise. Depois da recuperação parcial observada no período pós-pandemia, a demanda por ônibus voltou a cair em 2025 e se estabilizou em um patamar muito inferior ao registrado antes da Covid-19. Ao mesmo tempo, o país registrou um recorde histórico na venda de motocicletas, consolidando uma mudança estrutural na forma como os brasileiros se deslocam pelas cidades.

Os dados fazem parte do Anuário NTU 2025-2026, levantamento inédito da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que será apresentado durante o 39º Seminário Nacional NTU, que começa nesta terça-feira (11) e vai até quinta-feira (13), no São Paulo Expo, em São Paulo (SP).

Segundo dados do Anuário, o número de viagens realizadas no transporte coletivo por ônibus caiu 3,7% em 2025 na comparação com o ano anterior. Atualmente, a demanda corresponde a apenas 77,5% do volume registrado em 2019, antes da pandemia. Paralelamente, o país registrou a venda recorde de 2,2 milhões de motocicletas no último ano, um crescimento de 17,1%, superando pela primeira vez o licenciamento de automóveis de passeio e agravando os congestionamentos, os acidentes de trânsito e a emissão de poluentes nas cidades.

Como resposta a este cenário, a NTU apresenta o Programa Transporte para Todos, iniciativa que propõe uma nova arquitetura de financiamento permanente para o transporte coletivo no país, estruturada para garantir a modicidade tarifária, a melhoria dos serviços e a ampliação do acesso à população de baixa renda, sem a criação de novos impostos e sem gerar desequilíbrio fiscal. O Programa organiza o custeio do sistema entre os beneficiários diretos e indiretos do transporte público, distribuindo a responsabilidade em três pilares fundamentais de financiamento.

O primeiro pilar, que representaria de 45% a 55% do custeio total, é a modernização e ampliação do Vale-Transporte, que passaria a chamar Vale Transporte do Trabalhador (VTT). A medida transforma o benefício em obrigação patronal integral, eliminando o desconto de 6% do salário do trabalhador formal e garantindo-lhe passe-livre irrestrito na rede urbana da sua cidade. Ao ampliar a base de contribuintes, o valor pago por empregado cai significativamente.

O segundo pilar, focado nas Gratuidades Setoriais, é responsável por 25% a 35% da receita e propõe que os benefícios de idosos, estudantes e pessoas com deficiência passam a ser custeados diretamente pelos orçamentos das políticas públicas que os originam, como Educação, Saúde e Assistência Social, eliminando o subsídio cruzado que hoje encarece a passagem paga pelo usuário comum. 

O terceiro pilar, que responde por 5% a 15% do custeio, é o Vale-Transporte Social (VTS), um novo benefício federal integrado ao Cadastro Único e ao Bolsa Família que concederia passe-livre à população em situação de vulnerabilidade, funcionando como porta de acesso ao trabalho e aos serviços básicos. Com essa estrutura, a tarifa paga pelo passageiro casual passa a ter caráter meramente residual, respondendo por até 15% do custeio dos sistemas. 

“O financiamento é, de fato, o fio condutor do Seminário Nacional NTU 2026, mas não por escolha editorial. É a questão que hoje determina todas as demais. Este é um ano em que o país escolhe seus novos representantes. Queremos a mobilidade urbana tratada como prioridade nacional por quem quer que venha a governar o Brasil. Mais de 35 milhões de brasileiros usam ônibus todos os dias e eles merecem essa atenção”, explica Edmundo Pinheiro, Presidente do Conselho Diretor da NTU 

O 39º Seminário Nacional NTU também aborda as oportunidades com o recém-sancionado Marco Legal do Transporte Público Coletivo; a renovação e modernização das frotas; e experiências internacionais de cidades que conseguiram aumentar a demanda por transporte público, ao mesmo tempo em que reduziram congestionamentos e emissões de carbono, entre outros.

A conferência de abertura será conduzida por Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, com a palestra “Transporte para Todos: qualidade, acesso e sustentabilidade — o Brasil pode ter os três”.